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GEOLOGIA DO DESEJO

Geologia do Desejo propõe uma aproximação entre mineração, corpo e desejo. O projeto investiga como diferentes formas de extração atuam simultaneamente sobre o território, a memória e o corpo, estabelecendo paralelos entre paisagens mineradas e experiências afetivas. Por meio da pintura, da pesquisa geológica e da experimentação com materiais, busca compreender como processos de exploração deixam marcas tanto na terra quanto na experiência humana.

Status: Pesquisa em desenvolvimento. Linguagens: Pintura · Pesquisa de campo · Geologia

Palavras-chave: Corpo · Território · Extração · Paisagem

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Geologia do Desejo nasce de uma pesquisa realizada em diferentes regiões mineradoras do Brasil, onde a exploração do território se estende para além da paisagem e reorganiza as formas de vida que nela existem.

 

Ao longo da investigação, observei como os processos de extração mineral produzem transformações profundas não apenas no relevo, mas também na organização social dessas regiões. A intensa circulação de trabalhadores, a concentração de prostíbulos, a exploração do trabalho e a precarização das relações humanas revelam que o extrativismo atua simultaneamente sobre o território e sobre os corpos que o habitam.

 

Durante a pesquisa realizei a coleta de minerais provenientes dessas regiões para a produção de pigmentos utilizados nas pinturas. Ao incorporar esses materiais às obras, procuro estabelecer uma continuidade entre a matéria do território e a matéria da pintura.

 

As sucessivas camadas de tinta fazem referência às formações geológicas e às camadas tectônicas, compreendendo a pintura como uma superfície onde tempo, memória e matéria permanecem sedimentados.

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PROCESSO

 

A pesquisa articula viagens de campo, coleta de minerais, levantamento fotográfico, entrevistas, cartografia e experimentação material.

 

Os minerais coletados são transformados em pigmentos que passam a integrar as pinturas, fazendo com que cada obra carregue fisicamente fragmentos do território investigado. Dessa maneira, a pintura deixa de representar a paisagem para incorporar parte de sua própria matéria.​

Toda mina produz duas escavações: uma na terra e outra na sociedade.

TEXTO CURATORIAL

 

Núcleo conceitual: O que acontece quando um território é continuamente explorado?

 

A mineração costuma ser compreendida como um processo de extração de recursos naturais. No entanto, seus efeitos ultrapassam a transformação da paisagem. Ela reorganiza economias locais, modifica relações sociais, desloca comunidades e produz novas formas de exploração sobre aqueles que vivem nesses territórios.

 

Geologia do Desejo investiga essas relações a partir da aproximação entre geologia, pintura e pesquisa de campo. O projeto parte da hipótese de que a lógica extrativista não atua apenas sobre o solo, mas também sobre os corpos, os afetos e as formas de vida que emergem ao redor desses espaços.

 

Em diversas regiões mineradoras observa-se a formação de economias paralelas sustentadas pela exploração do trabalho, pela prostituição e pela circulação constante de corpos transformados em recursos. Nesse contexto, território e sociedade tornam-se partes de um mesmo sistema de exploração.

 

As pinturas incorporam pigmentos produzidos a partir de minerais coletados durante a pesquisa de campo. A própria matéria extraída da paisagem retorna à superfície da pintura, estabelecendo uma relação direta entre o território investigado e a construção da imagem.

 

A estrutura pictórica também dialoga com a geologia. As camadas de tinta são construídas como estratos sedimentares, evocando processos de deposição, erosão, pressão e deslocamento tectônico. Cada pintura funciona como uma superfície onde diferentes tempos permanecem acumulados.

 

Mais do que representar paisagens mineradas, Geologia do Desejo procura compreender como diferentes formas de extração reorganizam simultaneamente a matéria da terra, a organização social e a experiência do corpo.

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