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UN DIA SUSTENTADO ARTIFICIALMENTE

Um dia sustentado artificialmente acompanha um único dia atravessado por diferentes estados de consciência, explorando as relações entre desejo, fadiga, intimidade e substâncias psicoativas.

 

Combinando pintura, escrita e experiências, o projeto investiga o corpo contemporâneo como um organismo continuamente regulado por formas artificiais de estímulo, colocando em tensão memória, percepção e presença.

Status: Pesquisa em desenvolvimento. Linguagens: Pintura · Escrita 

Palavras-chave: Corpo · Dependência · Memória · Tempo

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Um dia sustentado artificialmente nasce da tentativa de compreender como substâncias psicoativas transformam nossa percepção do tempo, do corpo e da intimidade. O projeto parte da reconstrução de um único dia, vivido entre o amanhecer e a noite, em que diferentes estados de consciência alteram progressivamente a experiência da realidade.
 

O trabalho não busca narrar uma história pessoal. O dia funciona como um dispositivo de observação, permitindo investigar como desejo, memória, fadiga e afeto reorganizam a percepção quando atravessados por formas artificiais de estimulação.
 

A pintura e a escrita tornam-se registros complementares desse percurso, aproximando experiência subjetiva e investigação artística.

Toda substância promete alterar o corpo. Nenhuma consegue alterar aquilo que o corpo recorda.

TEXTO CURATORIAL

Núcleo conceitual: O que acontece quando a experiência deixa de ser sustentada pelo próprio corpo e passa a depender de estímulos artificiais para continuar existindo?

 

Vivemos em uma sociedade que multiplica formas de intensificar a experiência. Drogas, medicamentos, álcool, nicotina, cafeína, redes sociais, excesso de trabalho e consumo operam como tecnologias capazes de prolongar estados de atenção, prazer e produtividade. Mais do que alterar a consciência, essas substâncias reorganizam nossa relação com o tempo, com o corpo e com o outro.Um dia sustentado artificialmente investiga essa condição por meio da reconstrução de um único dia. Ao acompanhar uma sequência contínua de acontecimentos, o projeto observa como pequenas alterações químicas modificam progressivamente a percepção da realidade, dissolvendo os limites entre desejo, intimidade, memória e exaustão.As pinturas não ilustram acontecimentos específicos. Funcionam como fragmentos de uma experiência em permanente transformação, registrando oscilações de intensidade, estados emocionais e alterações perceptivas que dificilmente poderiam ser representados de maneira linear.A escrita amplia esse processo ao construir uma narrativa que acompanha o mesmo percurso temporal. Texto e pintura não se explicam mutuamente; operam como duas formas distintas de registrar uma experiência cuja estabilidade foi continuamente interrompida.Mais do que abordar o consumo de substâncias, o projeto procura compreender como formas artificiais de estimulação reorganizam a experiência contemporânea. O corpo deixa de ser apenas um organismo biológico para tornar-se um sistema constantemente regulado por mecanismos externos, onde prazer, desempenho, desejo e sobrevivência passam a compartilhar uma mesma lógica.

 

LIVRO

Um dia sustentado artificialmente também se desenvolve na forma de um livro composto por nove capítulos, correspondentes às diferentes etapas de um único dia. A narrativa acompanha a transformação gradual da percepção, revelando como estados químicos e afetivos reorganizam a experiência do tempo e da memória.O livro não funciona como documentação das pinturas, assim como as pinturas não ilustram o texto. Ambos constituem investigações paralelas sobre uma mesma experiência, permitindo que linguagem visual e linguagem escrita produzam leituras distintas de um mesmo acontecimento.

Não escrevo sobre drogas. Escrevo sobre tudo aquilo que o ser humano inventa para continuar existindo.

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